Outro dia, uma paciente compartilhou uma foto do carro dela parado em frente de casa e escreveu:
Talvez você olhe para essa situação e pense que a solução parece óbvia:
Pegue a chave. Entre no carro. Comece devagar.
Não precisa pegar uma avenida movimentada.
Não precisa dirigir quilômetros.
Pode apenas entrar no carro hoje.
Ajustar o banco e os retrovisores.
Treinar as marchas com o carro parado.
Outro dia, fazer pequenos movimentos para frente e para trás.
Depois, dar uma volta no quarteirão.
E repetir essa mesma volta por alguns dias, até aquilo começar a ficar mais familiar.
Aos poucos, aumentar o percurso.
Parece simples.
Mas, se fosse tão simples fazer isso quanto é explicar, provavelmente o carro dela não continuaria parado em frente de casa.
E talvez o seu também não estivesse.
Essa é uma pergunta muito mais importante do que parece.
O que impede você de fazer algo tão pequeno?
Porque talvez você esteja pensando:
“Meu problema é que tenho medo de bater.”
“Tenho medo de deixar o carro morrer.”
“Tenho medo de não conseguir estacionar.”
“Tenho medo de fazer alguma coisa errada.”
E esses pensamentos realmente podem fazer parte do medo de dirigir.
Mas existe uma camada que muitas mulheres não percebem.
Imagine que eu dissesse:
“Então não dirija hoje. Pegue a chave, entre no carro, ajuste o banco e os retrovisores e fique alguns minutos lá dentro. Depois saia.”
Parece muito mais fácil, certo?
Mesmo assim, algumas mulheres não fazem.
Por quê?
Porque imediatamente podem aparecer outros pensamentos:
“Mas só isso não vai adiantar.”
“Que besteira ficar entrando no carro sem sair.”
“Eu já deveria conseguir dirigir.”
“E se o vizinho me vir entrando no carro e depois perceber que eu nem saí?”
“Minha família vai perguntar por que eu não fui dirigir.”
“Meu marido vive dizendo que é só pegar o carro e ir.”
“Se eu continuar fazendo essas coisinhas, nunca vou conseguir.”
Percebe a diferença?
Agora não estamos falando apenas do medo de sofrer um acidente.
Estamos falando também da vergonha, da frustração, da cobrança, da comparação e da sensação de que começar pequeno significa que você está fracassando.
E isso pode fazer você evitar justamente os pequenos passos que poderiam ajudá-la a construir uma experiência diferente com o carro.
É por isso que eu não quero simplesmente dizer para você:
“Pegue o carro e vá.”
Quero ensinar três exercícios que usamos no início do Dirijamente para você começar a trabalhar aquilo que acontece antes dos pequenos treinos.
1. Enfraqueça a cena que sua mente repete
Existe uma razão para o primeiro exercício não acontecer dirigindo.
Antes de entrar no carro, quero que você observe o filme que sua mente aprendeu a reproduzir sobre dirigir.
Escolha uma situação que hoje provoca insegurança.
Pode ser sair da garagem, dirigir sozinha, encontrar outro carro em uma rua estreita, parar em uma subida ou simplesmente sair com o carro enquanto alguém observa.
Feche os olhos por alguns instantes e imagine que você está em uma sala de cinema.
Na tela está passando uma cena sua naquela situação.
Mas você não está dentro dela.
Você está sentada na plateia, observando.
Veja a cena começar.
Observe você entrando no carro.
Ligando.
Começando a dirigir.
E perceba o que sua mente automaticamente coloca nesse filme.
Alguém buzina?
O carro morre?
Você trava?
As pessoas olham?
Você não consegue fazer alguma coisa?
Algo dá errado?
Não tente corrigir o filme ainda.
Primeiro, descubra qual filme sua mente vem repetindo.
Porque algumas mulheres passam tanto tempo imaginando a direção associada ao perigo, erro, vergonha ou perda de controle que começam a reagir à situação antes mesmo de vivê-la.
O carro está parado.
Nada aconteceu.
Mas a cena ainda tem força.
E, enquanto essa cena continuar sendo reproduzida da mesma maneira, aproximar-se do carro pode continuar parecendo muito maior do que realmente é.
Esse primeiro exercício começa a trabalhar justamente essa representação.
Antes de construir novas experiências no carro, precisamos começar a enfraquecer a força das antigas cenas.
2. Descubra o que você está realmente tentando evitar
Agora chegamos a uma parte que considero ainda mais importante.
Pergunte a si mesma:
“Quando eu evito pegar o carro, o que estou tentando não sentir ou não enfrentar?”
Não responda rápido.
Porque a primeira resposta provavelmente será:
“Medo.”
Continue.
Medo de quê?
E, principalmente:
o que existe além do medo?
Talvez você perceba:
“Eu não quero sentir que estou fazendo papel de boba.”
“Não quero que ninguém me veja treinando.”
“Não quero explicar para minha família que hoje só vou ligar o carro.”
“Não quero me sentir incapaz outra vez.”
“Não quero começar e perceber que ainda estou insegura.”
“Não quero ouvir alguém dizendo que, se eu não dirigir de uma vez, nunca vou conseguir.”
“Não quero me comparar com meu marido, que entra no carro e simplesmente vai.”
Agora estamos chegando mais perto do seu estado atual.
Observe os pensamentos.
Observe as emoções.
Observe seu corpo.
E, principalmente, observe sua vontade de escapar da situação.
Porque pode existir uma diferença enorme entre:
“Eu não consigo entrar no carro.”
e:
“Eu consigo entrar no carro, mas estou tentando evitar tudo aquilo que sinto, penso e imagino que pode acontecer quando faço isso.”
Essa consciência é importante.
Você não precisa gostar do desconforto.
Não precisa concordar com os pensamentos.
E também não precisa esperar que eles desapareçam.
O primeiro objetivo é aprender a reconhecer e aceitar que essas experiências estão presentes sem permitir automaticamente que elas decidam o que você fará.
É isso que começa a tornar possível algo que antes parecia “bobo”:
entrar no carro e não sair;
ajustar banco e retrovisores;
treinar os comandos;
fazer pequenos movimentos;
dar apenas uma volta no quarteirão.
Porque agora você começa a entender:
pequeno não significa inútil.
Pequeno significa que você está construindo uma experiência que hoje ainda não consegue sustentar em desafios maiores.
3. Descubra que motorista você está tentando se tornar
Agora quero propor uma mudança de pergunta.
Em vez de perguntar somente:
“Como faço para deixar de ser medrosa?”
pergunte:
“Que tipo de motorista eu quero aprender a ser?”
Pegue papel e caneta.
De um lado, escreva:
A motorista que acredito ser hoje
E liste as características que aparecem.
Talvez:
insegura;
ansiosa;
indecisa;
tensa;
dependente;
preocupada com a opinião dos outros;
com medo de errar.
Agora, do outro lado, escreva:
A motorista que quero me tornar
Mas existe uma regra.
Você não pode escrever apenas “sem medo”.
Pense em características.
Talvez você queira se tornar uma motorista:
prudente.
atenta.
paciente.
decidida.
independente.
tolerante com os próprios erros.
segura para tomar decisões.
Escolha três.
Agora vem a pergunta mais importante:
O que uma motorista com essas características faria diante do pequeno desafio que você está evitando hoje?
Uma motorista paciente precisaria sair dirigindo pela cidade inteira?
Provavelmente não.
Talvez ela respeitasse o próprio processo.
Uma motorista prudente precisaria provar alguma coisa para o vizinho?
Não.
Uma motorista confiante jamais sentiria ansiedade?
Também não.
Talvez confiança signifique conseguir pensar:
“Estou insegura, mas hoje meu treino é apenas este.”
E fazê-lo.
É aqui que começamos a mudar a forma como você enxerga seu progresso.
Talvez seu primeiro treino nem seja dirigir
Volte à imagem daquela mulher olhando para o carro parado em frente de casa.
Ela escreveu que olha para ele e sonha em sair andando.
Talvez o objetivo final realmente seja esse.
Sair.
Dirigir sozinha.
Ir trabalhar.
Levar os filhos.
Fazer compras.
Pegar uma avenida.
Viajar.
Ter liberdade.
Mas existe uma distância entre onde ela está hoje e onde quer chegar.
E não precisamos percorrer essa distância inteira amanhã.
Talvez amanhã seja apenas:
pegar a chave.
Depois:
entrar no carro.
Depois:
ajustar banco e retrovisores.
Depois:
treinar os comandos.
Depois:
frente e trás.
Depois:
uma volta no quarteirão.
E no dia seguinte?
Talvez seja a mesma volta no quarteirão.
Até que aquilo que hoje parece um grande acontecimento comece a ficar comum.
Depois acrescentamos outra rua.
Mais tarde, outro desafio.
E assim a experiência vai sendo construída.
O problema é que, para algumas mulheres, existe uma batalha acontecendo antes mesmo de pegar a chave.
A mente diz que é pouco.
A vergonha diz que alguém vai reparar.
A comparação diz que outras pessoas conseguem fazer muito mais.
A frustração diz que você já deveria estar dirigindo.
A família diz:
“Você já sabe. É só pegar o carro.”
E então você tenta pular etapas.
O desafio fica grande demais.
Você não faz.
Sente-se ainda menos capaz.
E o carro continua parado.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas:
“Como perder o medo de dirigir?”
Talvez também precisemos perguntar:
“O que eu preciso aprender para conseguir fazer, repetidamente, aquilo que hoje está ao meu alcance?”
É assim que começamos no Dirijamente
Esses três exercícios que você acabou de conhecer fazem parte do início do Dirijamente.
E existe uma razão para começarmos por eles.
Eu não quero simplesmente mandar você entrar no carro e enfrentar seu medo.
Primeiro, você aprende a trabalhar a cena que sua mente criou sobre dirigir.
Depois, começa a reconhecer seu estado atual e aquilo que realmente está evitando.
E começa a construir uma imagem mais clara da motorista que deseja se tornar e das características que precisa desenvolver.
A partir daí, continuamos avançando até transformar esse trabalho em pequenos desafios no carro, de forma gradual.
O Dirijamente também não substitui a prática.
Você vai precisar praticar para desenvolver suas habilidades e construir confiança dirigindo.
A diferença é que você não precisa começar pelo desafio que ainda não consegue enfrentar.
Pode aprender a construir o caminho até ele.
Se você leu este texto e pensou:
“É exatamente isso que acontece comigo. Eu sei que preciso começar, mas não consigo fazer nem os pequenos passos.”
você não precisa descobrir sozinha qual deve ser o próximo passo.
No Dirijamente, esses exercícios e toda a sequência do método já estão organizados para você acompanhar pelo celular ou computador e aplicar gradualmente na sua rotina.
[QUERO CONHECER O DIRIJAMENTE]
Talvez você ainda não esteja pronta para sair dirigindo por aí.
Mas pode estar pronta para começar a construir a motorista que um dia fará isso.



